O Festival

Gal Costa, Nação Zumbi, Teto Preto e Tássia Reis serão algumas das atrações do evento realizado entre os dias 31 de outubro e 3 de novembro no Espaço Náutico Marine Club

O nome dela é Gal, como você já deve saber de tanto cantarolar o refrão da música. A novidade é que a cantora baiana será uma das principais atrações da 14ª edição do Festival Se Rasgum, realizado nos dias 31 de outubro, no Pier das Onze Janelas, e entre os dias 1 e 3 de novembro, no Espaço Náutico Marine Club, em Belém (PA). Este ano, o evento conta com patrocínio de Natura Musical e Oi – através da Lei Semear do Governo do Estado do Pará –, além do apoio institucional do Oi Futuro. A Devassa é a cerveja oficial desta edição e o player é o Spotify. Os ingressos já estão à venda no www.sympla.com.br/serasgum.

Com quatorze anos consecutivos em atividade, o Se Rasgum permanece fiel à proposta de fomentar a cultura paraense, ao promover em sua programação um diálogo entre nomes consagrados, novas promessas, músicos locais e shows exclusivos e inéditos. Uma união de influências e sotaques que não se restringe aos shows, expandindo-se para diversas facetas do mercado criativo: o Festival reúne em um só lugar tudo o que está sendo feito de mais interessante na culinária, na moda e na arte da região Norte. Tudo isso tendo a beleza das margens da Baia do Guajará como pano de fundo dos dois palcos aonde se revezarão as apresentações.

Além da musa da Tropicália Gal Costa, também integra a programação outro grupo que mudou a cara da música brasileira, os pernambucanos do Nação Zumbi – maiores expoentes do movimento manguebeat. Fora os medalhões que praticamente dispensam apresentação, o Se Rasgum será um espaço pra conhecer muito som novo. Formado há poucos meses, Os Amantes se prepara para estrear o repertório do seu primeiro disco durante o Festival. O trio é composto pelo cantor e compositor paraense com o Strobo, duo também paraense surgido em 2011 com a união musical de Arthur Kunz (bateria e programações) e Léo Chermont (guitarra e efeitos).

Outra paraense com disco que acabou de sair do forno este ano é a cantora Keila, ex-Gang do Eletro. Em seu primeiro álbum de estúdio em carreira solo batizado de “Malaka”, a artista envereda para além do eletromelody, unindo ao estilo sonoridades de outras periferias brasileiras como o funk carioca, o trap e o batidão do Nordeste. Combinação perfeita para o show que vai fazer em parceria com os baianos do ÀTTOOXXÁ. O quarteto formado Rafa Dias, Raoni, Oz e Chibatinha são conhecidos pela mistura da música eletrônica e pop mundial com o Axê e os demais gêneros de matriz africana.

Dentre os nomes que se apresentam pela primeira vez na cidade está o Rakta, formado Paula Rebellato (voz, teclado e synths), Carla Boregas (baixo e voz) e Nathalia Viccari (bateria). O trio paulista tem um som que beira o inclassificável, oscilando entre as guitarras e os cânticos, entre a psicodelia da música eletrônica e a distorção do pós-punk. Outra banda que chama atenção pelo experimentalismo é o Teto Preto, principalmente pelas apresentações viscerais da vocalista Laura Diaz (a Carneosso) e do dançarino Loïc Koutana. Formado em 2014, o quinteto surgiu em clima de improviso dentro da Mamba Negra, uma das festas responsáveis por dar novo gás à cena eletrônica de São Paulo. Seguindo o clima de rave, o Heavy Baile é um coletivo artístico formado em 2013, no Rio de Janeiro, cuja proposta funde os grooves do funk carioca aos sons internacionais que tocam nas pistas.

A black music e suas vertentes marcam presença no trabalho de diversos outros artistas que participam da 14ª edição do Se Rasgum. Formada em Ilhéus, em 1996, OQuadro é um dos nomes mais influentes do rap da Bahia. As composições do grupo oscilam entre o local e o universal, vão do ijexá ao afrobeat, criando uma sonoridade híbrida, mas sem deixar de fazer referência ao hip hop. Já as Mcs Anna Suav e Bruna BG começaram a sua parceria musical em 2016 na capital paraense, ao criarem o Slam Dandaras do Norte, batalha de poesias voltada para mulheres. Em suas composições, elas trazem suas experiências enquanto mulheres afroameríndias, feministas negras e artistas periféricas. Outra representante do novo rap paraense é a Nic Dias, que lançou o seu primeiro single “Degrau” no começo do ano. Explorando estilos como o boom bap e a estética gangsta rap, as suas canções denunciam a violência da capital paraense sem papas na língua, mas sempre exaltando a presença da mulher negra na sociedade e no rap.

Tassia Reis, a rapper paulista de voz suave e letras cheias de otimismo, chega a Belém para mostrar o seu mais recente trabalho, “Próspera”, terceiro disco da carreira lançado em julho passado. O repertório é marcado pela versatilidade, passeando por diferentes estilos como o rhythm & blues, o trap e gêneros brasileiros como o samba. A baiana Larissa Luz ficou conhecida nacionalmente por sua passagem pelo Ara Ketu e sua interpretação de Elza Soares no musical sobre a cantora. Todavia, a sua carreira solo consegue surpreender ainda mais. Em “Trovão”, seu novo disco, ela se inspira na estética afrofuturista, misturando a ancestralidade das religiões afrodescendentes com a batida eletrônica. Já o Mulamba é um sexteto curitibano composto só por mulheres, unindo influências que vão do rock à música erudita.

Enveredando para o lado do pop-rock, nós temos os mineiros do Moons. Encabeçado pelo cantor, violonista e guitarrista André Travassos, um veterano da cena alternativa de Belo Horizonte. “Thinking Out Loud” é o segundo disco do grupo, que reúne canções folk, com letras em inglês. Depois de assumir por quatro anos o baixo, vozes e composições da Zeromou, o paraense Pratagy lança o seu trabalho solo batizado de “Búfalo”. Gravado no quarto da casa do artista, o projeto intimista que trafega entre o acústico e o eletrônico. Joe Silhueta surgiu como a alcunha musical do compositor brasiliense Guilherme Cobelo, mas logo se tornou uma big band psicodélica tendo a sua frente a expressiva vocalista Gaivota. Destaque do cenário musical de Brasília, o grupo mescla referências do rock e do folk norte-americano com a psicodelia nordestina dos anos 1970. Já o power trio mineiro Black Pantera une os ideais revolucionários do Partido dos Panteras Negras à agressividade do heavy metal e do hardcore.

Revelação da cena indie de São Paulo no início da década de 2010, o grupo Bazar Pamplona toca uma variedade de referências entre MPB, folk, indie rock e texturas modernas. O show no Se Rasgum vai contar com a participação da cantora paraense Ana Clara, repetindo a parceria iniciada em 2015 quando eles produziram uma música para o disco de Ana intitulada “Prumar”. Com um som indie e músicas em inglês, Brvnks é o projeto da Bruna Guimarães, uma jovem goiana que começou a lançar músicas em 2016, alcançando certo status cult com o EP “Lanches”, que garantiu sua participação em festivais como Lollapalooza e Popload. Ela vem pela primeira vez à cidade apresentar o seu primeiro álbum, “Morri de Raiva”. Os gaúchos do Dingo Bells despontaram na cena musical brasileira em 2015 ainda como uma banda de rock psicodélico com o disco “Maravilhas da Vida Moderna”. Agora, o trio chega a capital paraense para fazer o show de lançamento de “Todo Mundo Vai Mudar”, lançado ano passado, que agrega influências de música popular brasileira, do hip hop e do neo-soul.

Tonny Brasil é uma verdadeira lenda do brega paraense. Fundador de grupos como Açaí Machine e Banda Bundas, o cantor tem músicas gravadas em praticamente todos os discos da banda Calypso, Gaby Amarantos e Wanderley Andrade. Dessa vez, Tonny se apresenta ao lado do Farofa Tropikal. O power trio norte-sul brasileiro que tem o repertório recheado de releituras de lambadas, guitarradas, cúmbias e clássicos do brega. Outro representante da nova geração que estão promovendo um revival dos ritmos regionais é o Bando Mastodontes. Formado há três anos, o grupo paraense conta com doze integrantes e suas apresentações são um misto de teatro e roda improvisada de carimbó, uma autenticidade que já conquistou um público fiel na cidade.

NOITE GRATUITA – Como nos anos anteriores, esta edição do Se Rasgum também irá promover uma noite gratuita. No dia 31 de outubro, o Palco Secult, localizado no Pier das Onze Janelas, irá abrigar um reencontro muito especial para os saudositas do rock paraense: o show dos integrantes originais da Suzana Flag tocando na íntegra “Fanzine”, o álbum de estreia da banda lançado em 2003. Também sobem ao palco os uruguaios do Cuatro Pesos de Propina, com seu som acústico que mistura ska, funk, punk e hip hop. O evento ainda conta com uma das grandes revelações do hip hop paraense, o rapper Xico Doido, com seu flow cômico e crítico. Além do show da banda paraense de rock alternativo Móbile Lunar.

FESTA DE LANÇAMENTO – Este ano a festa de abertura do Se Rasgum terá a participação da banda goiana Boogarins e os baianos da Maglore. A noite ainda conta com o quinteto paraense O Cinza, vencedor do 5º lugar das Seletivas Se Rasgum. Os shows de abertura será no dia 4 de outubro, no Espaço Náutico Marine Club. Os ingressos já estão à venda através do site.

MUSIC ON THE TABLE – Paralelo à programação musical do 14º Festival Se Rasgum, será realizado o Music on The Table, de 28 de outubro a 1º de novembro. A programação, sempre gratuita, será no Parque da Residência, Teatro Gasômetro e Ná Figueredo, com workshops, painéis, debates e, claro, uma rodada de negócios para os artistas paraenses. Em breve divulgamos a programação completa.