Promo Prxs Trans no show de Linn da Quebrada

Postado em 21 de outubro de 2018 por Juliana Camargo em Musica, Programação musical, Sem categoria

O Festival Se Rasgum se uniu à ONG Rede Paraense de Pessoas Trans (Reppat) para promover a acessibilidade do público transgênero ao show da cantora paulista Linn da Quebrada, uma das headliners da 13ª edição do evento e principais vozes na causa de transexuais e travestis no país. A parceria inédita permitirá que pessoas trans tenham direito a 50% de desconto no valor do ingresso para o dia da apresentação da artista, 1 de novembro. Interessados devem entrar em contato prévio com a REPPAT, responsável por coletar nomes do público com direito ao desconto. 

Na mesma noite, quem também brilha em um dos palcos principais do evento é a paraense Leona Vingativa, outra artista trans que viralizou no Brasil inteiro por uma série de vídeos de humor e que hoje segue carreira como cantora. Ela se unirá ao duo paraense Strobo, apresentando performances e versões de hits pop atuais.  

Para um dos coordenadores da ONG, Rafael Carmo, ações como essa são importantes para facilitar o acesso do público transgênero em espaços como o do Festival. “Na maioria das vezes a população trans e travesti não está presente em espaços como este porque para eles o custo é alto, visto que a maioria não tem uma fonte de renda fixa por não estar inserida no mercado de trabalho, lugar em que a transfobia persiste”. Este é o primeiro tipo de parceria que a REPPAT fecha com uma produtora cultural. “Ficamos felizes com o convite e pela sensibilidade e compreensão direcionada ao público transgênero 

Linn da Quebrada faz parte de um grupo de artistas transgêneros que têm ganhado destaque na mídia nos últimos anos, reflexo de uma mobilização em massa de grupos tradicionalmente discriminados, que vêm se unindo para mudar essa realidade. Suas letras mesclam humor com questões políticas. Rafael lembra que a população trans e travesti sempre esteve produzindo e inserida no mundo das artes, mas graças a movimentação política e a visibilidade que se resultou disto, está acontecendo o reconhecimento dessas pessoas entre seus pares. 

“O público em geral também vem se informando sobre as realidades de pessoas trans, o que ajuda a contrapor a visão marginalizada da maioria da sociedade, mostrando que esses corpos podem ser inseridos em todos os espaços como qualquer outra pessoa. Garantir essa visibilidade é proporcionar que outras pessoas se sintam representadas e se enxerguem no outro, tendo seu lugar de fala respeitado”, ressalta Rafael. 

Esta será a primeira apresentação de Linn em Belém. Uma das artistas mais interessantes da cena da música independente na atualidade, a cantora e compositora vai mostrar no palco canções de seu disco de estreia “Pajubá, um disco com músicas no melhor estilo “afro-funk-vogue” (como costuma definir Linn). O trabalho contou a participação especial de artistas LGBT de notoriedade nacional, como as cantoras Mulher Pepita, Liniker e Gloria Groove.  

Para Linn, a ação conjunta entre o Festival e a ONG é de extrema importância e tem caráter de reparação histórica para pessoas transgêneros. “Fico muito feliz com esta iniciativa, afinal, meu show é também uma festa de celebração das nossas vidas e nada mais justo e importante que criar essas pontes e fortalecer essas ações com as pessoas trans. Principalmente para que não sejamos apenas entretenimento nas festas, mas que possamos também curtir desses momentos. Estou muito ansiosa em desfrutar deste momento com as minhas parceiras, afinal, estamos vivas!”. 

Nascida na periferia do interior de São Paulo no início dos anos 90, Linn se define como uma artista “multimídia, cantora, performer, terrorista de gênero, nem ator nem atriz, atroz”. Desde 2016 vem ganhando destaque em mídias tradicionais por músicas que colocam em pauta a quebra de padrões de gênero e sexualidade. 

Criada por uma tia Testemunha de Jeová, Linn cresceu na doutrinação de denominação cristã. Aos 17 anos ela começou a se montar como drag queen em uma festa de aniversário em uma boate. Foi o momento que Linn, dissociada da Igreja, despertou para sua existência política. A arte foi seu grito de liberdade depois da infância religiosa e cantando ela encontrou uma forma de fazer sua existência reverberar. 

Mesmo com uma trajetória bem recente na música, a artista já foi tema de documentário. Dirigido pelos cineastas Kiko Goifman e Claudia Priscilla, “Bixa Travesty” conta a trajetória de vida de Linn, e levou o Prêmio Teddy no Festival de Berlim no início deste ano, prêmio dado a produções que abordam conteúdos LGBT.  Linn também já apareceu no documentário “Meu Corpo é Político”, onde mostra o seu cotidiano e a história de sua militância.  

Serviço 

Promoção Prxs Trans no 13º Festival Se Rasgum. Válida para o dia 1/11, quinta-feira, na Insano Marina Club (São Boaventura, 268). O ingresso físico individual dá direito a 50% de desconto a pessoas trans com nome coletado previamente pela Reppat. Contato: (91) 98181-5779/98158-7145 (Reppat).